Nyah! Fanfiction

Meu Meio-Irmão escrita por Isa Lerman

Capítulo 24
Tragédias e... Surpresa!

A aparição repentina do meu pai era o que eu menos esperava. Sinceramente, eu nem mesmo me lembrava da existência dele. E eu nem se quer sabia o nome dele. Se um dia eu soube, com certeza esqueci.

– O que está fazendo aqui? E como sabe onde eu moro? - perguntei.

– Posso entrar? - perguntou ele. - Assim eu poderei explicar tudo.

– Entra - respondi e deixei que ele entrasse e se sentasse. - Bom, já pode começar a falar.

– Candice, eu vim pedir que você me perdoe.

– E por quê eu faria isso? Você abandonou a mim e a minha mãe logo depois que eu nasci. O que você fez não tem perdão.

– Eu não fiz por querer. A minha vontade era de ficar com você e com a sua mãe, eu amava vocês duas.

– Ah, é mesmo? Você quer mesmo que eu acredite nisso? Você, por acaso, pensa que eu sou alguma idiota?

– Você tem razão em me odiar. Eu mereço. Mas eu não tive escolha. Por uma razão muito forte, eu tive que ir embora da vida de vocês para sempre. Deixar vocês foi a coisa mais difícil que eu já tive que fazer, acredite.

– Você diz que há uma razão forte pra você ter nos deixado. Qual é?

– Eu não posso dizer. Só que é para o seu próprio bem e segurança.

– Eu só vou considerar te perdoar quando você me disser a verdade.

– Entendo. Preciso ir agora, eu só precisava te ver e esclarecer as coisas.

– Boa tentativa.

Eu abri a porta e, antes de ir embora, ele disse:

– Adeus... minha filha.

Depois que o meu pai foi embora, eu pensei em como foi estranho tê-lo visto pela primeira vez, conversar com ele e ver como eu me parecia com ele fisicamente; meu nariz, o formato e a cor dos meus olhos e a cor do meu cabelo eu herdei dele. Também me perguntei como ele teve a cara de pau de aparecer assim, de surpresa, 16 anos depois de ter nos abandonado, e logo depois de eu nascer. Naquele momento, eu passei a odiar o meu sobrenome.

No dia seguinte, depois da aula, Ally e eu fomos ao shopping para comprar os nossos vestidos para o baile de boas vindas. Demos uma volta, olhamos todas as vitrines, entrarmos em uma das lojas, olharmos e experimentarmos vários modelos, até encontrarmos os vestidos e os sapatos perfeitos.

Eu estava sozinha, voltando do shopping para a casa, quando passei por um beco e fui abordada por um homem armado.

– Não tente correr, nem gritar, se não eu atiro - ameaçou o homem, de quem eu não podia ver o rosto, apenas seus olhos, pois ele usava uma máscara preta.

– O que você quer? - perguntei, morrendo de medo.

– Você é linda, sabia? Nada mau.

Ele se aproximou de mim e eu tentei me afastar aos poucos, até que ele me puxou pelo braço e me agarrou a força. Eu comecei a gritar e tentei fazer com ele me soltasse.

– Me solta! Socorro! Socorro! Socorro! - gritei e ele tapou a minha boca com a mão.

– Cala essa boca, garota estúpida! - mandou ele.

– Deixa a minha filha em paz! - gritou o meu pai, que surgiu de repente. O homem me soltou e se virou para o meu pai.

– Eu sabia que mexendo com a sua filhinha você ia se manifestar, Daniels - disse o homem ao meu pai. - Você já era!

Ele atirou uma vez no peito do meu pai, que logo caiu no chão. O homem fugiu e eu corri até o meu pai, que ainda estava consciente.

– Filha... me... me perdoa... por eu ter abandonado você e sua mãe - disse meu pai, com muita dificuldade.

– Eu te perdoo, pai - falei, chorando. - Eu te perdoo.

Algumas pessoas se aproximaram do local por conta do barulho de tiro e ficaram chocadas com a cena que viram. Peguei meu celular dentro da minha bolsa e liguei imediatamente para o Robert para pedir que ele mandasse uma ambulância do hospital para o local. Não demorou muito e a ambulância chegou para levar o meu pai para o hospital, e eu fui junto. Dentro da ambulância, a caminho do hospital, enquanto o meu pai estava deitado na maca, eu segurava sua mão.

– Eu amo você, filha - disse ele, me fazendo chorar ainda mais.

O meu pai não resistiu e faleceu naquela noite, pouco depois de chegar no hospital. Eu fiquei arrasada e inconformada. Ele errou ao me abandonar quando nasci, mas tentou se redimir e me salvou de um delinquente. E, apesar de tudo, ele era o meu pai. Naquela mesma noite, contei a minha mãe e ao Robert o que aconteceu, e eles me consolaram.

Chegara o dia do baile de boas vindas. Se antes eu já não estava animada para ir ao baile, imagina depois do que aconteceu com o meu pai, mas eu não tinha escolha, já que eu havia comprado o vestido, os sapatos e marcado hora no salão de beleza. E, além do mais, eu precisava me divertir e me distrair um pouco.

Mais tarde, o meu cabelo e as minhas unhas estavam feitos e eu já estava pronta para ir ao baile. Minutos depois, a Ally, o William e o Jason chegaram na minha casa para me buscar, e eu me despedi da minha mãe e do Robert e fomos a caminho do colégio.

Ao chegarmos no colégio, nos dirigimos para o ginásio, onde o baile já estava acontecendo, e todos os presentes estavam dançando e se divertindo.

– O que estamos esperando? Vamos dançar! - disse Ally, e nós fomos para o meio da "multidão".

A música My Love Is Like A Star da Demi Lovato começou a tocar e os casais começaram a dançar, e quando eu fui me retirar do meio do ginásio, olhei para a porta de entrada e tive uma surpresa: o Austin. Ele olhava para os lados, parecendo me procurar, até que ele me achou e sorriu ao me ver. Eu sorri de volta e corri para abraçá-lo. Pulei em seus braços e ele me segurou no alto, me rodopiando.

– Surpresa! - disse ele.

– Então era essa a surpresa! - falei.

– Você está linda. Como sempre.

– Meu Deus, não posso acreditar que você está aqui.

Nós nos abraçamos novamente. Eu segurei seu rosto enquanto ele sorria e o beijei.

– Tá vendo porquê você tinha que vir ao baile?! - disse Ally ao se aproximar de nós.

– Você sabia? - perguntei.

– Depois que você me contou sobre o baile e que você não viria, eu entrei em contato com a Ally e pedi que ela te trouxesse, nem que fosse arrastada, pra que eu pudesse te fazer essa surpresa - contou Austin.

– Vocês tramaram tudo pelas minhas costas, seus safados! - falei e eles riram.

A Ally voltou para o William e o Jason havia se aproximado de uma garota que estava sozinha. E o Austin segurou na minha mão e me levou para o meio do ginásio, onde todos estavam dançando ao som de I Just Can't Stop Loving You, dueto do Michael Jackson com a Siedah Garrett.

– Estou tão feliz por te ter aqui comigo de novo - falei enquanto dançávamos.

– Eu também estou feliz por ter voltado pra você - disse Austin, sorrindo.

– Depois de tudo o que eu passei nos últimos dias, eu precisava mais que do que nunca de você.

– Foi por isso que eu conversei com a minha mãe e ela considerou se mudar para São Francisco, para que eu pudesse ficar perto de você e não precisar sair do seu lado nunca mais.

– Isso é sério?

– Claro que é.

– Ah, Austin!

Eu o abracei, o enchi de beijos e sorrimos um para o outro.

Apesar de todos os meus problemas e de tudo o que acontecera, aquela foi uma das melhores noites da minha vida. Depois de sofrer com tanto medo por conta da minha gravidez precoce, depois de ter sido quase estuprada e depois da morte do meu pai, que eu mal conheci, eu estava feliz. Eu estava feliz por ter o Austin de volta, finalmente. Mas eu ainda precisava contar pra ele que eu estava grávida, e não seria fácil.

Após o baile, o Austin me levou para casa. Eu pedi que ele ficasse e passasse a noite comigo, e ele ficou. Conversamos, trocamos beijos e carinhos a noite toda. Na manhã seguinte, acordar com ele ao meu lado parecia um sonho, da qual eu não acordaria nunca mais. Enquanto ele ainda dormia, eu acariciei seu rosto e mexi em seus cabelos. Até que ele acordou e sorriu pra mim, com aquela carinha de sono que é encantadora.

– Como é bom acordar assim - disse ele com a voz rouca.

– Eu não acordo feliz assim há muito tempo - falei.

O Austin e eu ficamos na cama por um bom tempo e quando levantamos, ambos tomamos banho, nos trocamos e descemos para tomar café da manhã. Nós estavávamos na cozinha, quando a minha mãe, que estava na sala, começou a gritar de dor e nós corremos até ela.

– Está na hora? - perguntei.

– Sim - respondeu ela. - O bebê vai nascer!




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